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Obras que são fundamentais Maio 1, 2008

Posted by Rafael in filosofia.
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Filosofia da Afirmação e da Negação – Mário Ferreira dos Santos

Certas obras são fundamentais para o melhor entendimento da questão que desejamos abordar nessa comunidade. Além disso, são de capital importância aos que desejam entender porque as revoluções contra as ideologias modernas e materialistas são mais que necessárias, como também não são teorias postuladas por saudosos do passado ou místicos delirantes.

Tais obras são necessárias para que entendamos o que há de errado com o mundo moderno, para que tenhamos a compreensão sobre a raíz mais profunda da tragédia do mundo moderno, e porque ele é tão pernicioso espiritualmente. O espírito tradicional não é apenas uma revolta saudosista, nem uma promessa para volta aos tempos jamais imaginados e tidos como eras inexistentes: é antes de tudo uma revolta contra o estado de miséria intelectual e espiritual que domina o Ocidente. É a compreensão de que todas as ideologias materialistas, de quaisquer posição, não passam de tragédias do espírito e de revolta contra o nosso fim último.

Em primeiro lugar, recomendo a obra Filosofias da Afirmação e Negação, de Mário Ferreira dos Santos. Nesta obra, transcorrida dentre um diálogo filosófico entre amigos reunidos para o estudo e busca à verdade, diversos personagens (que também são alter egos de Mário Ferreira dos Santos), debatem os aspectos das chamadas filosofias da afirmação e da negação.

Os personagens são dividos entre “homens da tarde”, “homens da noite” e “homens da madrugada”, títulos de três romances escritos pelo distinto autor. São “homens da tarde” aqueles pensadores de um livro de só, pensadores que o autor trata como “intelectuais sistemáticos” e “littérateurs estéreis”, incapezes de compreender o esoterismo dos símbolos e penetrar nas mais profundas concepções. Não precisamos navegar muito para encontrar tais tipinhos, quer na direita quer na esquerda. São pessoas que costumam praticar o reducionismo de tudo segundo suas parcas concepções dogmáticas, cujo senso crítico resume-se à mera dictomia de seus maniqueísmos ideológicos e filosóficos.

Já os “homens da noite” são os buscadores, que podem ser comparados a título exotérico com o talib do sufismo, embora, ainda como buscadores, não possam ter a confiança daqueles que já atingiram o fim. Precisam vigiar, cansar as pupilas, lutar contra o duro cansaço de permanecer acordado enquanto busca a luz na escuridão. Tais homens são raros, mas quando perseverantes tornam-se “homens da madrugada”.

Os homens da madrugada são aqueles que, segundo as próprias palavras do autor, ” não sonham mais, sabem. Não esperam nem confiam, porque já encontraram.”

Distantes de todos esses homens, estão os “homens do meio-dia”, que são o sonho dos “homens da noite” e a realização dos “homens da madrugada”.

Sob esse pano de fundo, diversos personagens disputam temas como “Verdade e Ficção”, relativismo, idealismo, universais, teorias do conhecimento, Deus, criação, metafísica, Kant e Platão. Os debates entre Pitágoras, o homem da noite prestes a tornar-se um homem da madrugada, e Josias, o cético “com as marcas da decepção e do desespero gravdas nas faces, e sobretudo nas idéias.”

Percebe-se nessa obra o grande filósofo que foi Mário Ferreira dos Santos. Longe de ser um “homem da tarde”, seu raciocínio é capaz de espantar e maravilhar, pois nunca é apegado à mesquinhez filosófica nem ao ceticismo rebelde. Sua dúvida e questionamento é em busca da verdade, e é essa a diferença entre o homem da noite, o buscador, e o cético mesquinho e infantil. Não se duvida por duvidar, se duvida para encontrar aquilo que é certo, como também não nos apegamos àquilo que nos parece certo sem qualquer questionamento mais profundo, mas sim para podermos não mais esperar, mas sim confiar com fundamento e racionalidade.

Nesta obra percebemos que as diversas filosofias da negação causaram a crise do mundo moderno, e da mesma forma que destruíram os gregos, destruirão o mundo de nosso tempo. Hoje em dia também podemos perceber um pensamento reducionista de aparentes adeptos de filosofias da afirmação, mas que por não passarem de “homens da tarde”, acabaram por criar novas filosofias da negação.

Para solucionar tal problema, o autor postula que esta crise não será resolvida através de uma forçada unidade mecânica, mas sim “pelo poder que une os opostos”, isto é, a transcendência. O autor compara tal conflito com a síncrise e a diácrise, argumentando que a atual diácrise não será solucionada pela síncrese, pois é impossível existir a coesão intrínseca necessária através deste conflito, algo que só se dará pela transcendência.

Tal raciocínio mostra-se presente em todos os diálogos e debates do livro, que chegam a espantar pela exposição rigorosa e detalhada argumentação. Nos tempos em que filósofos são louvados pelo maniqueísmo político e vocabulário torpe, esta obra aparece como verdadeiro bálsamo aos nossos espíritos, nos traz de volta ao raciocínio correto.

De maneira que esta obra se torna fundamental por nos apresentar uma nova solução para os problemas que nos abalam. Uma solução que está muito além dos conflitos entre esquerda x direita, ateus x teístas, evolucionistas x criacionistas e reducionismos alhures.

É deveras uma obra densa, de leitura um tanto quanto complicada, mas que vai rejuvenescer nossa forma de pensar. Talvez pareça um tanto complicada como ponto de partida, mas sua posterior compreensão vale todo o esforço dedicado, pois trará um melhor aproveitamento dos estudos posteriores, já livres de todos os vícios e lástimas que atacam o pensamento moderno.

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