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René Guénon e a Tradição Junho 7, 2011

Posted by Rafael in hinduísmo, metafísica, oriente e ocidente, tradição.
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Um dia a morte encontrará a tôdos, então que se esclareçam as coisas antes do fim do Mistério, pois saber do mistério na chegada de seu fim não tem graça.

1. Vou aproveitar para esclarecer uma coisa e acabar com tôda essa frescura: parem de procurar em Guénon um passatempo intelectual. Guénon não escreveu para fornecer erudição. Recebo acá pergunta de gente em busca de libros sobre Guénon, esoterismo, hermetismo, iniciação e assuntos correlactos. MANS noto que, em tôdos estes casos, não há um interesse em TENTAR realizar estas vias de realização – há a mera tentativa para compreender, no sentido de compreensão acadêmica, os ensinamentos chamados “ocultos”, “esotéricos” ou “perenes”. Se o q você deseja é isso, não perca seu tempo com Guénon. Procure nas librarias e bibliotecas as referências, há muitas.

A obra de Guénon é uma tentativa para explicar, em termos acessíveis, como buscar as duas formas de realização, individual e supra-individual. Tôda a obra de Guénon, mesmo a política, é influenciada pela doutrina não-dualista, e um dos trabalhos de Guénon foi a demonstração da existência de doutrinas não-dualistas no Oriente e Ocidente.

A doutrina não-dualista é de natureza expositiva. Não é uma doutrina que pode ser ensinada pela dialética. Algum parvo pode dizer que Shankaracharya derrotou tôdas as outras darshanas e o budismo através de debates dialéticos. MANS aqui é preciso fazer uma separação: os debates realizados por Shankaracharya, como por outros munis ou até mesmo outros representantes de doutrinas não-dualistas além do Advaita Vedanta, não buscavam levar o debatedor à realização, buscavam, primeiro, convencê-los do erro de suas doutrinas samsáricas, para depois iniciá-lo no verdadeiro caminho, para que o vencido, transformado em discípulo, conseguisse atingir moksa. É possível dividir a obra dos mestres, apologetas e mistagogos das doutrinas não-dualistas em diversas partes, MANS a que trata do caminho para a realização é um só: a parte prática.

E qual é a parte prática? Certamente não é aquela que vocês estão buscando. Vocês buscam saciar curiosidade, buscam coleccionar libros e erudição. Não adianta você ler a definição de samadhi. Ou achar que compreendeu o que é moksa. A exposição de moska não passa da transformação da experiência do realizado em palavras, através de sua misericórdia. O que está ali não é a realização de facto.

Guénon notou como as doutrinas não-dualistas foram confundidas entre diversas bobagens “esotéricas” de europeus dos círculos “ocultistas” da Europa, que misturavam incompreensão das doutrinas orientais, tanto por questões doutrinárias ou erros de tradução, com doutrinas iluministas e pietistas, e então apresentou a sua obra como “limpeza de terreno” (nas palavras do Luiz Pontual). Obras como “O Erro Espírita” e “Teosofia” não são apenas documentos para refutar falsas religiões, MANS sim manuais de esclarecimento sobre tôdo uma mentalidade torta, que influenciou praticamente tôdo o esoterismo Ocidental e que levou seus braços até o Oriente (procurem sobre a Arya Samaj do Swami Dayananda).

Portanto, você precisa ter em mente que, ao ler Guénon, você terá que estar com disposição para buscar alguma forma de realização. Se você deseja apenas saciar sua curiosidade, pegue qualquer livro de Guénon e vá ler. MANS não é algo que recomendo. Se você é católico carola, ateísta militante, evangélico ou travesti do Redondo, vá gastar seu tempo com outra coisa, pois a obra de Guénon não é de leitura agradável, muito menos vai te ajudar em qualquer coisa que está dentro do círculo de seus interesses.

A obra de Guénon é para gente como o então Eugene Rose, futuro Bem-Aventurado Monge Serafim Rose, que após uma vida perdida como homossexual e agnóstico, decidiu buscar uma alternativa ao niilismo ocidental. E então chegou ao Taoísmo, mas as previsões pessimistas e o sumiço de seu Mestre fizeram com que o leigo Eugene Rose visitasse uma Igreja Ortodoxa em São Francisco, onde encontrou São João (Maximovitch) de São Francisco e Shangai, e o resto faz parte da história. MANS isso prq o Pe. Serafim era uma pessoa em busca de algo sério. Não era um curioso, ou um sujeito atrás de uma tradição para se aparecer no orkut. Não era como certos “defensores da tradição” que vemos na internet, que comentam sobre a Sharia ou a questão dos wahabitas para em seguida comentar sobre vagina de atriz pornográfica.

Para essa gente, a obra de Guénon só servirá para trazer novas manias. Se você é um desses, não venha aqui me pedir bibliografia, explicação sobre Atma, Brahma Nirguna, Apara Brahman, sufismo e etc. Recomendo que você passe a dedicar seu tempo com a punheta, integralmente, pois já que você gosta tanto de onanismo, passe seu tempo com aquilo que te dá prazer. Não falo isso com qualquer teor moralsita, aqui falo de forma prática: é mais fácil você, por algum choque ou experiência no coito, atingir a realização com o caralho entre 5 cinco dedos do que lendo “O Homem e seu devir segundo o Vedanta”.

Então, se ainda quiser saber a pergunta para a primeira questão, faça um exame de consciência. Se ainda desejar, volte e pergunte, que eu entro em contacto via msg particular e explico tudo. Se você tentar me enganar, não pense que eu serei o maior prejudicado. Não sou burro, faço um caminho de estudos para você em 15 minutos, no máximo. O que não é nem 1% do tempo que você irá perer caso tente me enganar.

2. Fuja dos “tradicionalismos”. Religião é Tradição, não é tradicionalismo. O tradicionalismo é uma doença da Tradição. Os ambientes tradicionalistas foram criados para satisfazer necessidades afectivas e intelectuais de pessoas com diversos tipos de insatisfação. Por isso tôdo ambiente tradicionalista está masi preocupado em impor formas de comportamento, que vão desde o fumar cachimbo até formas de comportamento exótico nas coisas mais banais.

Por exemplo: num ambiente católico tradicionalista, principalmente da FSSPX, há mais preocupação em exibir conhecimento teórico da Summa Teológica ou fumar cigarrilhas depois da missa, com aquela cara de “mamãe, serei Chesterton”, que em viver a espiritualidade católica (que já é claudicante) de facto. Em ambientes islâmicos tradicionais (shias principalmente), há mais preocupação em exibir uma barbicha e demonstrar conhecimento teórico sobre Irfan que em viver segundo os pilares da Fé, como imitador do Profeta Mohamed (s.a.w). Em ambientes tradicionalistas ortodoxos há mais preocupação em fingir que estamos na Rússia de Ivan ou na Constantinopla de São Fócio que em viver de acordo com os ensinamentos dos startsi de nous iluminado.

Se você quer ter uma idéia geral sobre isso, leia esses artigos do Bem-Aventurado Monge Serafim que, apesar de tratar do ponto de vista ortodoxo, serve como guia para analisar qualquer comportamento religioso:

http://orthodoxinfo.com/inquirers/fsr_88.aspx

http://orthodoxinfo.com/praxis/fsr_87.aspx

http://orthodoxinfo.com/ecumenism/fsr_63.aspx

Se você seguir estes passos, você não cairá no papo dos “tradicionalistas”. Para cair na conversa dos “tradicionalistas”, é melhor cair de uma vez na vida de farra. Falta de realização por falta de realização, é melhor aquela com cachaça, baderna e preguiça. Brincar de santo é perigoso à saúde física. E mental.

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Comentários»

1. Juarez Jandre Azevedo - Junho 21, 2011

De longe, um dos melhores textos sobre o assunto com o qual já tive o prazer de me deparar.


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