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Obras que São Fundamentais Maio 1, 2008

Posted by Rafael in hinduísmo.
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La Doctrina India del Fin Último del Hombre

Na obra “La Doctrina India del Fin Último del Hombre” 9http://www.4shared.com/account/file/456

69288/661f2c4b/Ananda_Kentish_Coomaraswamy_-_La_Doctrina_India_del_Fin_ltimo_del_Hombre.html?sId=IiIRzCuRGFI0rvcp) teremos uma compreensão da diferença entre o que separa o atual Ocidente das doutrinas tradicionais. Sempre sóbrio e preciso, Coomaraswamy explica no capítulo (na verdade, uma palestra transcrita) “¿De Qué Herencia y ante quiénes son Responsables los Pueblos de Habla Inglesa?” como a abordagem inglesa à cultura e civilização hindu foi absurda e pretensiosa.

Podemos concluir após essa leitura que a civilização hindu, tida como tão exótica e “atrasada” pelos ocidentais modernos guardava muitas semelhanças com o antigo Ocidente, o Ocidente destruído pelos ideais materialistas, e que perdeu todo lastro de civilização. A civilização hindu era tão estranha aos ingleses por inserir todo seu cotidiano e afazeres em uma cosmovisão, algo que os ocidentais não possuem a menor idéia do que é.

A tentativa de converter a alma hindu ao modo de vida anglicano só poderia acabar em desastre. Primeiro, porque gerou uma casta de indianos que esqueceram de suas origens, tornaram-se ingleses de gosto e espírito, mas que ainda assim guardavam um certo sentimento nacionalista sem motivo algum. O segundo prejuízo ocorreu entre os ingleses que se aproximaram das doutrinas orientais sem qualquer preparo ou qualificação intelectual.

Nasceu então a pseudo-erudição orientalista ocidental, uma patética tentativa de reduzir o estudo das ciências tradicionais indianas às questões acadêmicas sob o ponto de vista racionalista. Coomaraswamy chega a traçar um renascimento positivo depois desses tristes eventos, devido ao aparecimento de estudiosos não mais interessados ao estudo com fins prosélitos de refutação das doutrinas hindus, mas sim com fim em “usar uma tradição para iluminar a outra”

Essa obra nos leva a uma reflexão importante, levando em conta o que vemos hoje, mas que Coomaraswamy não viveu para ver e comentar:

A invasão atual de falsos gurus e confusas doutrinas orientais, que muitos gostam de atribuir a René Guénon e autores tradicionalistas, não é nada mais que um fruto do contato entre uma civilização destruída que tentou destruir uma outra civilização. Ao aproximar de uma civilização tradicional, o Ocidente já sem os pressupostos capazes para defender sua civlização de heterodoxias e confusões doutrinárias, permitiu que fosse instaurada a confusão de conceitos tradicionais, e o que nos causa mais preocupação é o fato de na atual conjuntura não existir qualquer solução contra isso.

Além disso, Coomaraswamy aborda outros assuntos das doutrinas orientais pouco compreendidos pela maioria: desde a questão da reencarnação até evolução e as bases da civilização hindu.

A leitura desta obra é capaz de desmontar “dogmas” das doutrinas orientais criados pela má leitura ocidental, como a crença de que o hinduísmo é reencarncionista e politeísta.

No fim dessa leitura, percebe-se que a civilização hindu não é tão estranha, e muito menos confusa ou distante do Ocidente quando ainda era uma civilizaçõ. É uma obra que nos levará a meditar porque o Ocidente não é mais uma civilização, porque a conservação desse estado de coisas é um espírito de covardia e ignorância.

Dediquem certa atenção a esta obra, e procurem analisá-la segundo os eventos atuais. É fundamental compreender não só porque o Ocidente chegou nessa situação, como também porque ele tentou destruir o Oriente, e como essa tentativa acabou por afundar ainda mais o mundo moderno.

Revolução e Contra-Revolução Abril 26, 2008

Posted by Rafael in grande síntese, third position.
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“…Le guerre sono vinte da coloro che hanno saputo attrarre dai cieli le forze misteriose del mondo invisibile e assicurarsi il concorso di queste forze. Queste forze misteriose sono già spiriti dei morti, già spiriti dei nostri antenati, i quali sono stati anche loro, un tempo, legati alla nostra terra, alle nostre zolle e sono morti in difesa di questa terra, rimanendo ancor oggi legati ad essa dal ricordo della loro vita quaggiù e per tramite nostro, loro figli, nipoti e pronipoti. Ma più in alto degli spiriti dei morti sta Dio. Queste forze, una volta attratte, fanno pendere la bilancia dalla tua parte, ti difendono, ti infondono coraggio, volontà e tutti gli elementi necessari alla vittoria e fanno sì che tu vinca. Gettano il panico e il terrore fra i nemici, paralizzano la loro attività. In ultima analisi, le vittorie non dipendono dalla preparazione materiale, dalle forze materiali dei belligeranti, ma dal loro potere di assicurarsi il concorso delle potenze spirituali. In questo modo si spiegano, nella nostra storia, le vittorie miracolose di alcune potenze assolutamente inferiori dal punto di vista materiale…” – Cornelio Codreanu

 

 

Creio ser necessário estabelecer, durante este tópico, as diferenças, intenções e conceitos dos chamados movimentos revolucionários e contra-revolucionários.

Dantes, é necessário esclarecer alguns aspectos da mentalidade contra-revolucionária, bem como suas vertentes. A mais ditosa, a Contra-Revolução idealizada pelos pensadores católicos ultra-conservadores, como a TFP e movimentos contra a Nova Missa e o Vaticano II, tem como base não só a luta contra a revolução esquerdista, mas também contra a própria revolução liberal.

Católicos como o Prof. Dr. Orlando Fedeli colocam, repletos de razão, capitalismo e comunismo como faces diferentes da mesma moeda. Assim, essa contra-revolução é uma tentativa de voltar a ínclitos tempos do passado, quando o homem era guiado por valorosos ideais espirituais, quando não havia qualquer influência dessa nefanda concepção individualista do homem que surgiu durante o protestantismo. Portanto, é patético notar em alguns simpatizantes e até membros da TFP um apreço pueril aos EUA e ao próprio capitalismo, já que na obra “Revolução e Contra-Revolução” do Sr. Dr. Plínio podemos perceber um caminho completamente oposto, que é o caminho da valente e heróica luta contra a modernidade e todas suas vertentes, uma verdadeira revolta contra as bases do mundo moderno que foram constituídas pelo Protestantismo. A tese defendida pelo Sr. Dr. Plínio nesta obra, uma das poucas que adotamos gostosamente, postula que o Protestantismo é o pai das revoluções liberais seguintes, que por fim desaguaram no comunismo. Outrossim, é a contra-revolução nos dias de hoje a própria revolução em seu sentido literal, é a volta a um estado de coisas superior, através do heroísmo e de um fatalismo místico e milenarista, que também vemos com bons olhos.

Agora, abordemos a posição contra-revolucionária covarde e contraditório de neocons e olavetes.

Olavo e limitados da mesma laia defendem que a mentalidade revolucionária é algo que deve ser banido, pois é responsável pelas maiores desgraças e matanças de toda a história da humanidade.


“A essência da mentalidade contra-revolucionária ou conservadora é a aversão a qualquer projeto de transformação abrangente, a recusa obstinada de intervir na sociedade como um todo, o respeito quase religioso pelos processos sociais regionais, espontâneos e de longo prazo, a negação de toda autoridade aos porta-vozes do futuro hipotético.

Nesse sentido, o autor destas linhas é estritamente conservador. Entre outros motivos, porque acredita que só o ponto de vista conservador pode fornecer uma visão realista do processo histórico, já que se baseia na experiência do passado e não em conjeturações de futuro. Toda historiografia revolucionária é fraudulenta na base, porque interpreta e distorce o passado segundo o molde de um futuro hipotético e aliás indefinível. Não é uma coincidência que os maiores historiadores de todas as épocas tenham sido sempre conservadores.

Se, considerada em si mesmo e nos valores que defende, a mentalidade contra-revolucionária deve ser chamada propriamente “conservadora”, é evidente que, do ponto de vista das suas relações com o inimigo, ela é estritamente “reacionária”. Ser reacionário é reagir da maneira mais intransigente e hostil à ambição diabólica de mandar no mundo.”

A Mentalidade Revolucionária, Olavo de Carvalho

Pois muito bem, eis que partindo dessas assertivas olavianas chegamos às seguintes conclusões:

1)- a mentalidade revolucionária deseja intervir a todo custo nos cursos da sociedade, em nome de seu tal “futuro hipoético”.
2)- a mentalidade revolucionária reveste-se de autoridade com base nesse futuro hipotético.
3)- mas no fim, o que move tudo isso é apenas a ambição diabólica de mandar no mundo.

Notamos que este pensamento carece de qualquer fundamento Tradicional, e está baseado em concepções com base no Protestantismo e seu filho preferido, o neoconservadorismo americano.

Embora neoconservadores neguem o intento de criar um novo homem, tal hipocrisia cai por terra ao notarmos que, na prática, buscam totalmente o contrário. Pois, o que é mais revolucionário que invadir países estrangeiros em nome de uma suposta libertação do povo, em nome da criação de regimes “democráticos”? Não é isso a busca por um novo homem? O insígne René Guénon, num tom que continua ainda mais atualizado nos dias de hoje, escreveu e profetizou:

“Incontestavelmente, o Ocidente está invadindo tudo; sua ação exerceu-se em primeiro lugar no domínio material, o que estava imediatamente ao seu alcance, seja pela conquista violenta, seja pelo comércio e o açambarcamento dos recursos de todos os povos. Mas as coisas agora vão ainda mais longe. Os ocidentais sempre animados por esta necessidade de proselitismo que lhes é tão peculiar, conseguiram até certo ponto espalhar entre outros, seu espírito anti-tradicional e materialista; e quando a primeira forma de invasão não atingia, em suma, senão os corpos, esta envenena as inteligências e mata a espiritualidade. Aliás, uma preparou a outra e a tornou possível, de maneira que não é em definitivo senão pela força bruta que o Ocidente chegou a impor-se por toda a parte, e não podia ser de outra forma, pois é nisso que assenta a única superioridade real de sua civilização, tão inferior sob qualquer outro ponto de vista.

A invasão ocidental é a invasão do materialismo sob todas as suas formas, e talvez não passe disso; todos os disfarces mais ou menos hipócritas, todos os pretextos “moralistas”, todas as declamações “humanitárias”, todas as habilidades de uma propaganda que sabe, na ocasião, tornar-se insinuante, para melhor atingir seu fim de destruição, tudo isso nada pode contra esta verdade, que não poderia ser contestada senão por ingênuos, ou por aqueles que têm qualquer interesse nesta obra verdadeiramente “satânica”, no sentido mais rigoroso da palavra.”

[…]

“Assim, quando a resistência a uma invasão estrangeira é feita por um povo ocidental, chama-se “patriotismo” e é ela digna de todos os elogios; quando porém, o é por um povo orientai, chama-se “fanatismo”, ou “xenofobia” e já não merece agora senão o ódio e o desprezo. Demais, não é em nome do “Direito”, da “Liberdade”, da “Justiça” e da “Civilização” que os europeus pretendem sempre impor a sua dominação, e impedir a qualquer outro homem que êle viva e pense de um modo diferente do seu? Convir-se-á que o “moralismo” é realmente uma coisa admirável, a não ser que se prefira concluir muito simplesmente, como nós mesmos que, salvo algumas exceções tanto mais honrosas quanto mais raras, já não há mais, por assim dizer, no Ocidente, senão duas espécies de pessoas, bem pouco interessantes tanto uma como outra: os ingênuos, que se deixam levar pelas belas palavras e que crêem em sua “missão civilizadora”, inconscientes como são da barbarie materialista em que estão mergulhados, e os hábeis, que exploram este estado de espírito para a satisfação de seus instintos de violência e de cupidez. Em todo o caso, o que há de certo é que os orientais não ameaçam a ninguém, nem cogitam tampouco de invadir o Ocidente de um modo ou doutro.” – “A Crise do Mundo Moderno”

Notamos tal pernicioso pensamento em ditos “católicos” neocons, como Dinesh D’Souza, sujeito que se diz católico, mas na prática e nas idéiais, é um protestante furreca. Notem que neocons reduzem o papel da religião ao moralismo, não é mais função da religião criar um novo homem, estabelecer uma ordem com fundamentos metafísicos; a função da religião é dar uma vida boa e garantir direitos individuais tão louvados pelo Ocidente.

Percebe-se tal pensamento materialista e destruidor de qualquer base Tradicional em qualquer artigo neocon sobre o assunto, como por exemplo:

http://www.americanthinker.com/2008/02/does_shariah_really_promote_hu.html

Embora as críticas ao Islam sejam superficiais e idiotas, a leitura do texto levanta um ponto importante, que merece mais atenção que as patuscadas de um autor limitado intelectualmente: o que nos chama a atenção é a monstruosa pretensão de julgar uma Tradição religiosa segundo fundamentos meramente humanos e, para desespero de qualquer neocon, revolucionários. Pois não foi a revolução iluminista que estabeleceu a primazia da “razão” contra os fundamentos os religiosos? Não foram os revolucionários secularistas que advogaram o completo abandono da concepção jusnaturalista em nome de uma direção rumo à vontade do populacho? Dinesh D’Souza, em seu folheto incensado como grande obra “What’s so great About America?” derrama elogios às liberdades individuais da América, e que, segundo o parvo americano, existem graças às raízes cristãs da América.

Mas de qual Cristianismo Dinesh trata? Do catolicismo, que ele diz professar? Ou do calvinismo, que instaurou durante sua era em Genebra um dos regimes que mais atacaram as liberdades individuais? Não, meus caros, Dinesh falava em nome de uma antiga religião: a adoração ao bezerro de ouro.

A adoração ao bezerro de ouro é o culto a Kaly, à destruição dos fundamentos tradicionais do homem. Ao utilizar o Cristianismo para defender seu ósculo ao bezerro, Dinesh cria uma nova religião, uma religião que não tem mais papas, Escrituras ou Tradição para guiar seus caminhos, mas sim os valores criados por… revolucionários!

Vejamos o que diz a Igreja Católica sobre as liberdades tão caras a neocons:


Monstruosidade da liberdade de imprensa

11. Devemos tratar também neste lugar da liberdade de imprensa, nunca condenada suficientemente, se por ela se entende o direito de trazer-se à baila toda espécie de escritos, liberdade que é por muitos desejada e promovida. Horroriza-Nos, Veneráveis Irmãos, o considerar que doutrinas monstruosas, digo melhor, que um sem-número de erros nos assediam, disseminando-se por todas as partes, em inumeráveis livros, folhetos e artigos que, se insignificantes pela sua extensão, não o são certamente pela malícia que encerram, e de todos eles provém a maldição que com profundo pesar vemos espalhar-se por toda a terra. Há, entretanto, oh que dor! quem leve a ousadia a tal requinte, a ponto de afirmar intrepidamente que essa aluvião de erros que se está espalhando por toda parte é compensada por um ou outro livro que, entre tantos erros, se publica para defender a causa da religião. É por toda forma ilícito e condenado por todo direito fazer um mal certo e maior, com pleno conhecimento, só porque há esperança de um pequeno bem que daí resulte. Porventura dirá alguém que se podem e devem espalhar livremente venenos ativos, vendê-los publicamente e dá-los a tomar, porque pode acontecer que, quem os use, não seja arrebatado pela morte?

12. Foi sempre inteiramente distinta a disciplina da Igreja em perseguir a publicação de livros maus, desde o tempo dos Apóstolos, dos quais sabemos terem queimado publicamente muitos deles. Basta ler as leis que a respeito deu o V. Concílio de Latrão e a constituição que ao depois foi dada a público por Leão X, de feliz recordação, para que o que foi inventado para o progresso da fé e a propagação das belas artes não sirva de entrave e obstáculo aos Fiéis em Cristo (Act. Concílio Lateran. V, ses. 10; e Constituição Alexand. VI ‘Inter multiplices’).O mesmo procuraram os Padres de Trento que, para trazer remédio a tanto mal, publicaram um salubérrimo decreto para compor um índice de todos aqueles livros que, por sua má doutrina, deviam ser proibidos (Conc. Trid. sess. 18 e 25). Há que se lutar valentemente, disse Nosso predecessor Clemente XIII, de piedosa memória; há que se lutar com todas as nossas forças, segundo o exige a gravidade do assunto, para exterminar a mortífera praga de tais livros, pois o erro sempre procurará onde se fomentar, enquanto não perecerem no fogo esses instrumentos de maldade (Encíclica ‘Christianae’, 25 nov. 1776, sobre livros proibidos). Da constante solicitude que esta Sé Apostólica sempre revelou em condenar os livros suspeitos e daninhos, arrancando-os às suas mãos, deduzam, portanto, quão falsa, temerária e injuriosa à Santa Sé e fecunda em males gravíssimos para o povo cristão é aquela doutrina que, não contente com rechaçar tal censura de livros como demasiado grave e onerosa, chega até ao cúmulo de afirmar que se opõe aos princípios da reta justiça e que não está na alçada da Igreja decretá-la.

Males da separação da Igreja e do Estado

16. Mais grato não é também à religião e ao principado civil o que se pode esperar do desejo dos que procuram separar a Igreja e o Estado, e romper a mútua concórdia do sacerdócio e do império. Sabe-se, com efeito, que os amadores da falsa liberdade temeram ante a concórdia, que sempre produziu resultados magníficos, nas coisas sagradas e civis.

Liberdade do mal que certas associações apregoam

17. A muitas outras coisas de não pouca importância, que Nos trazem preocupado e enchem de dor, devem-se acrescer certas associações ou assembléias, as quais, confederando-se com sectários de qualquer religião, simulando sentimentos de piedade e afeto para com a religião, mas na verdade possuídas inteiramente do desejo de novidades e de promover sedições em toda parte, pregam liberdades de tal jaez, suscitam perturbações nas coisas sagradas e civis, desprezando qualquer autoridade, por mais santa que seja. – “Mirari Vos” Papa Gregório XVI – MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=enciclicas&artigo=mirarivos〈=bra
Online, 25/04/2008 às 14:10h

O culto ao bezerro de ouro não suporta tais cousas. O bezerro de ouro deseja a liberdade. A liberdade para perder almas, para impedir o surgimento do novo homem, de uma nova sociedade, pois nada é mais interessante a esse culto que a continuação desse estado de coisas. O bezerro de ouro é guardado pelos kuravas, que desejam a continuação da impiedade e o impedimento da chegada do novo reino.

Como, diante disso, manter uma atitude “conservadora” e “contra-revolucionária”? Seria um absurdo diabólico lutar contra esse bezerro de ouro? Se sim, podemos colocar no saco da mentalidade revolucionária os pandavas, que na batalha de Kurushetra buscaram a destruição do poder estabelecido.

Vejam que os elementos da tal “mentalidade revolucionária” estava presente na elevada batalha de Arjuna contra os seus, e o principal: a idéia de que a guerra não é apenas material, é interior, a destruição do inimigo faz parte do próprio dharma do guerreiro, a luta contra os samskaras, a natureza demoníaca que impede a liberação do homem.

Nos dia de hoje, vemos alinhados no campo da escuridão, como kauravas modernos, todas as doutrinas meramente políticas, sejam elas de índole conservadora ou revolucionária, mas que no fim visam apenas a pobreza do espírito, a supremacia da razão sobre esse despertar, essa liberação.

De outro lado, vemos alinhados os pandavas, homens que lutam pela verdadeira libertação e pela verdadeira volta ao estado original, buscam a criação desse novo homem transcendente e liberto de toda ilusão, de todos anseios transitórios e terrenos, conforme profetiza Alexander Dugin:

“The materialistic, atheistic, antisacral, technocratic, atlantist variant of the End is turned into a different epilogue — the final Victory of the sacred Avatar, the coming of the Terrible Destiny, giving those who chose voluntary poverty a reign of spiritual abundance, and to those who preferred wealth founded on assassination of Spirit, eternal damnation and torments in hell.”

Estamos em outra batalha de Kurushetra. Kurushetra significa “campo de ação”. Nos resta agora decidir em qual lado combateremos.

 

 

Os Três Modos de Natureza Material Abril 26, 2008

Posted by Rafael in hinduísmo.
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“A influência da natureza material não pode afetar uma alma iluminada, ainda que ela participe de atividades materiais, pois ela sabe a verdade sobre o absoluto, e sua mente está fixada na Suprema Personalidade de Deus.” – Śrīmad Bhāgavatam, 3,27-3

 

 

Segundo os Vedas, a consciência material é a causa da vida condicionada. É a consciência material, a vontade de desfrutar, que força uma entidade a obter uma existência material. Outrossim, os sentimentos de felicidade e tristeza, transcendentais por natureza, são causados pelo próprio espírito. O mundo material, tido como uma grande floresta de desfrute, é o local onde o ser-vivo caiu por desejar o desfrute, e por causa disso, está sujeito aos três modos da matéria condicionada. A paixão cria, a bondade sustenta e a ignorância destrói. Toda alma está sujeita aos três modos de existência material:

“A bondade prevalece pela supressão da paixão e da ignorância; a paixão prevalece pela supressão da bondade e da ignorância, e a ignorância prevalece pela supressão da bondade e da paixão, Ó Arjuna.Bhagavad-Gita, 14,10

 

A poluição da consciência faz a alma se apegar nas ações físicas, de ações e reações comandadas pelas três formas de natureza material. O verdadeiro propósito, então, é se libertar dessa ilusão material, para voltar ao mundo espiritual, que foi deixado devido à vontade de desfrutar. O estado homem que esquece do espiritual, para desfrutar do mundo material, é comparado ao sono, pois assim como os prazeres que vemos nos sonhos são meras criações mentais, irreais, também este desfrute terreno é uma mera ilusão sem qualquer existência permanente.

 

 

Roubo, estupro, maus governantes, assassinatos, enganação, avareza, exploração: tudo isso nasce da necessidade de todos que passam para a vida material de desfrutar. Os conflitos nascem dessa necessidade, já que os interesses dos que desejam apenas desfrutar sempre é conflitante, e muitos, iludidos pelos sentidos, não conseguem escapar de suas ilusões, e tornam-se cada vez mais apegados a tais desfrutes.

“Os sentidos materiais criam as atividades materiais, tanto piedosas como pecaminosas, e os modos da natureza colocam os sentidos materiais em movimento. O ser-vivo, totalmente engajado pelos sentidos materiais e modos da natureza, experimenta os diversos resultados do trabalho fruitivo.” – Śrīmad Bhāgavatam 11,10

Tal caráter de deleite do mundo material fica muito claro na seguinte passagem:

 

 

“Quando o Rei Parīkṣit perguntou a Śukadeva Gosvāmī sobre o significado da floresta material, Śukadeva Gosvāmī respondeu assim: Meu querido rei, um homem que pertence à comunidade comercial está sempre interessado em ganhar dinheiro. Algumas vezes ele entra na floresta para adquirir algumas mercadorias gratuitas como árvore e terra para então vendê-las na cidade por um bom preço. Da mesma forma, a alma condicionada, pela avidez, entra neste mundo material em busca de algum benefício material. Gradualmente, ela entra nas profundezas da floresta, sem saber como sair. Ao entrar no mundo material, a alma pura torna-se condicionada pela atmosfera material, que é criada pela energia externa sob o controle do Senhor Viṣṇu. Assim as entidades vivas ficam sob o controle de uma energia externa, daivī māyā. Vivendo sozinha e confusa na floresta, ela não consegue obter a associação dos devotos que estão sempre engajados no serviço ao Senhor. Já na concepção corpórea, ela recebe diferentes tipos de corpos sucessivamente sob a influência da energia material e impelida pelos modos de natureza material. Assim a alma condicionada caminha algumas vezes para planos celestiais, outras para planos terrenos e algumas vezes para planos baixos e de espécies inferiores. Assim, seu sofrimento continua devido aos diferentes tipos de corpos. Estes sofrimentos e dores são misturados algumas vezes. Algumas vezes tais coisas são muito severas, outras não. Estas condições corpóreas são adquiridas devido às especulações mentais da alma condicionada. Ela usa sua mente e os cinco sentidos para adquirir conhecimento, e isso produz os diferentes corpos e condições. Usando os sentidos sob o controle da energia exterior, māyā, a entidade viva sofre as misérias da condição de existência material. Ela que de fato busca pro alívio, é geralmente desnorteada, embora algumas vezes consiga algum alívio após grandes dificuldades. Lutando pela existência neste caminho, ela não pode alcançar o abrigo dos devotos puros, que são como abelhas engajadas no serviço amoroso nos pés de lótus do Senhor Viṣṇu.” – Śrīmad Bhāgavatam, 5,14

 

Ao entrar na floresta, em busca de desfrute, a alma fica sujeita aos três modos da existência material. É a busca pelos benefícios da floresta que irá causar as dores e lamentações da alma.

A combinação desses três modos, que é a causa da existência material, é chamada de pradhāna. Quando manifestada no estado da existência, é chamada de prakṛti. Pradhāna é a reunião dos cinco elementos grosseiros, os cinco sutis, os quatro internos, os cinco de conhecimento e os cinco órgãos de ação exterior.

Os elementos grosseiros são: água, terra, fogo, ar e éter. São os sutis: cheiro, tato, cor, paladar e audição. Os sentidos de adquriri conhecimento e dos órgãos são: sentido de audição, sentido de paladar, sentido de tato, sentido de visão, sentido de olfato, o órgão ativo da fala, os órgãos utilizados para trabalho, e também os utilizados para viajar, procriar e evacuar.

A natureza material consiste de três modos: da bondade (sattvam), paixão (rajas) e ignorância (tama). A alma iluminada não é afetada por estes três modos, pois ao obter o conhecimento transcendental, ela deixa de ser influenciada por estes três modos da existência material, por já ter se fixado na Suprema Personalidade de Deus.

 

“Ó Arjuna, o modo da bondade prende alguém à felicidade do estudo e conhecimento do espírito; o modo da paixão prende à ação; e o modo da ignorância prende por negligência, pelo encobrimento do auto-conhecimento.” – Bhagavad-gītā , 14.09

O modo da bondade liberta das atividades pecaminosas, leva à felicidade, desenvolve o verdadeiro conhecimento, e aquele que morre no modo da bondade, é levado para os mais altos planos dos grandes mestres. Embora ainda seja um modo de natureza material, o modo da bondade não é pecaminoso, pois é “o mais puro do mundo material” (nirmalatvāt). O homem neste estado é menos afetado pelas misérias da existência material. O sacrifício do que está no modo da bondade é feito conforme as Escrituras, com fé e convicção firme de que ele é uma obrigação.

Neste modo, as aflições e confusões da alma condicionada são aliviadas. Embora seja um estado da alma condicionada, e portanto, do ser-vivo que buscou o desfrute, é um estado elevado por seu apego ao conhecimento, é o que faz desenvolver o verdadeiro conhecimento.

O modo da paixão, que nasce do desejo, e produz apego, desejo por ouro, e também gula, luxúria, mesquinharia, ambição. Tudo que é feito no modo da paixão resulta em miséria. Por esta razão, os brahmanas não devem tomar atitudes ou decisões no modo da paixão, pos ele é incompatível com o estado de sábio ou sacerdote, e muito menos viver neste estado. Os kshatriyas e vaishyas vivem entre o modo da bondade e paixão. Quanto maior é este modo, mais anseio a alma sente pelo desfrute, e mais sofrimento ela terá.

No modo da ignorância, o modo da escuridão, a alma é levada à loucura e ilusão. É o modo daquele que vive distraído pela preguiça, indolência. Neste estado, a alma não pode diferenciar o certo do errado, qual é seu objetivo ou se está cometendo atividades pecaminosas. Esta alma adora os demônios, oferece sacrifícios sem seguir as Escrituras, seja por egoísmo, hipocrisia e auto-satisfação.

“Assim os descendentes dos macacos misturam-se entre si, e eles são normalmente chamados de śūdras. Sem hesitação, eles vivem libertinamente, sem conhecer o objetivo da vida. Eles são condenados a ver apenas um a face do outro, que vos relembra o sentido da gratificação. Sempre engajados em atividades materiais, conhecidas como grāmya-karma, trabalham duro para benefício material. Desta forma esqueceram completamente que um dia suas expectativas de vida irá acabar e então serão degradados no ciclo evolutivo.” Śrīmad Bhāgavatam, 5,14

Na existência material, os sentidos são os maiores adversários do homem. Mesmo nas boas ações, sentidos como o da auto-gratificação podem arruinar as coisas boas. Pela necessidade de satisfazer seus instintos (visão, olfato, paladar, tato, audição, desejo e vontade), o homem ainda desvia aquilo que não era seu para satisfazer seus sentidos.

 

Por esta razão, apenas a alma iluminada, livre das tentações do sentido, consegue viver no mundo material sem ser atraída ou enganada pelos sentidos. Como confirmação, do que foi explicado e da citação do Śrīmad Bhāgavatam (3,27-3) no cabeço deste texto, coloco o ensinamento do Mahārāja Rahūgaṇa ao Rei Rahūgaṇa, sobre o que ele deveria fazer para escapar do ciclo de fuga e volta às perigosas posições sujeitas à alma condicionada.

 

“Meu querido Rei Rahūgaṇa, vós também és uma vítima da energia exterior, pois estás no caminho de atração dos prazeres materiais. Então, para que possais tornar-se um amigo justo a todas as entidades, aconselho-te a desistir da vossa posição real e da verga que usas para punir criminosos. Desistas da atenção aos objetos sensíveis para segurar a espada do conhecimento afiada pelo serviço devocional. Então, serás hábil para cortar o duro nó da energia ilusória e cruzar para o outro lado do oceano da existência espiritual.” – Śrīmad Bhāgavatam 5,13

 

Tudo que ocorre no modo material é consequência do desejo, aflições e necessidades. A fome a sede causam fúria, falta de paciência. Muitas vezes a noção de que o apreço às sentidos de desfrute é esquecido pela própria corrida aos gozos materiais. A ansiedade, pelo medo de perder posição de prestígio, também faz a alma não conseguir escapar e cair nas armadilhas da ilusão.

A incompatibilidade de atividades como de guerreiro e rei, com a busca da transcendência, se da pelo fato da própria atividade de punir causar danos à alma condicionada do castigador, prendendo-o ainda mais nas ilusões do modo de vida material.